Malcolm Wilson > “Fizemos um grande investimento no Latvala!”

Ano novo, vida nova ou no caso da Ford, casa arrumada! Malcolm Wilson fala das aspirações para 2012 com Latvala e Solberg e lança um olhar sobre o futuro…

Apesar da ascensão de Jari-Matti Latvala a figura de primeiro plano dentro da equipa M-Sport é o tema ‘Petter Solberg’ que assume a trajetória da conversa inicial com Malcolm Wilson. O homem que em 2012 irá continuar a gerir os destinos da equipa Ford no Mundial de Ralis conta que o regresso de Solberg à M-Sport aconteceu quase como uma normal reunião de família onde o protagonista não aparecia em casa há 12 anos.
Na altura, a saída de Petter da equipa para a Subaru foi stressante para todas as partes envolvidas, o que contribuiu, agora, para que o seu regresso tivesse levantado uma série de dúvidas: aos 37 anos, será que desta vez, o ‘casamento’ é definitivo? Ficaram todas as feridas do passado curadas? O tempo trará a resposta, mas Wilson apresenta-se otimista: “estou muito animado. Mostrámos ao Petter o seu antigo quarto e brincámos com ele para ir comprar batatas fritas, função que ele era responsável quando acompanhava os mecânicos que ficam a trabalhar até tarde há 12 anos, antes de, mais a sério, iniciarmos as reuniões de estratégia. Tudo isso faz com o que o sentimento dentro da equipa seja, muito bom e mesmo o Jari-Matti Latvala está muito satisfeito em ter o Petter como colega de equipa. A política sobre os dois primeiros ralis é muito clara: o Petter guiou no Monte Carlo o carro com o set up do Jari e o mesmo vai suceder na Suécia. Quero que se concentre em conhecer e a estudar melhor o carro, antes de começar a alterá-lo a seu gosto. Depois vamos querer colher toda a informação que nos conseguir transmitir e vamos, com certeza, fazer melhorias derivadas da sua experiência. Ele ganhou um campeonato do mundo por isso espero que a combinação dos dois pilotos resulte em pleno e nos coloque numa posição forte tanto no campeonato de Marcas como de Pilotos”.

AutoSport: Olhando para o futuro imediato, está ansioso por mais confrontos com a Citroën e para rivalizar com um novo diretor da marca francesa?

Malcolm Wilson: Parece que é esse o caminho, mas penso que as batalhas serão sensivelmente as mesmas que nos últimos anos. Espero é que com o Jari-Matti na linha da frente, a Ford fique numa posição mais forte do que a que alguma vez esteve.

AS: Tem um acordo com a Ford para os próximos dois anos, mas o Jari-Matti Latvala e o Petter Solberg só tem um ano de contrato. Como vê os desenvolvimentos em 2013?

MW: Vamos ver como evoluem as coisas até meio do ano, mas não há dúvida que quero manter o Jari-Matti no futuro. Ele está connosco desde os 17 anos ou seja, está nesta casa há 10 anos. Fizemos um grande investimento nele pelo que a prioridade será, se correr tudo como o planeado, mantê-lo. Do lado do Petter, teremos que esperar para ver como se porta, mas também é certo que há dois ou três jovens muito bons que estão a chegar. O Ott Tanak fará toda a época connosco pelo que conseguiremos aferir dos seus progressos e o Mads Ostberg é outro dos potenciais pilotos que no futuro nos interessará.

AS: Que outros projetos estão a avançar na M-Sport?

MW: Finalmente o projeto do RRC (1.6 Turbo S2000) está avançar. Mads Otberg correu no fim de semana antes do monte Carlo num Fiesta Regional Rally Car na Noruega (no Mountain Rally) e já vendemos também um RRC para Simon Jean-Joseph e para Yazeed Al Rajhi. Há mais um ou dois interessados no carro para o IRC, mas nada está confirmado.

AS: Muita gente não está satisfeita com o restritor do turbo de 30 mm. Acha que esta regra podia ser mudada?

 MW: Não. Não vejo razão para alterar os 30 mm. Depositamos muita confiança no nosso carro. Em terra, achamos mesmo que o RRC (1.6 Turbo com restritor de 30 mm) será mais rápido que o nosso S2000 2 litros aspirado. Mas se as regras mudarem, penso que o restritor podia ser mais pequeno.

AS: O que pensa da questão do registo da MINI e da forma como eles renegociaram os termos da sua entrada no campeonato? Ficou numa posição confortável com todo o processo?

MW: Queremos a MINI no WRC. Se conseguindo a dispensa que quer por parte da FIA, a MINI estiver presente num número bastante razoável de ralis, a sua entrada é bem-vinda. Quantos mais interessados no campeonato melhor e pensando no que aconteceu com o Promotor ficou provado que é preciso gerar o máximo interesse possível no WRC. A MINI tinha-se comprometido a entrar como Construtor no campeonato, mas as coisas não correram como eles esperavam. Foi um pouco como a nossa situação onde as coisas poderiam ter tido outro desfecho. Por causa da situação económica, há que ser flexível.

Democratização do Fiesta!

Em 2012, como nos anos anteriores, as preocupações da M-Sport estender-se-ão muito para além da equipa do WRC. Para além dos Fiesta RRC e S2000 para privados, modelos inscritos no Grupo R1 e a nova classe R4T estão no centro das preocupações de Wilson. No caso dos R1, o patrão da M-Sport afirma tratar-se de “um importante projeto pois faz com que passemos a ter carros para todas as gamas ou bolsas.

Para além do R1, a WRC Academy continuará com os R2 (já temos 10 construídos) e campeonatos como o britânico, belga, turco e russo também mostraram forte interesse neste modelo (só a Turquia encomendou cinco kits e a Rússia 12). Para os S2000 aspirados os pedidos abrandaram mas ainda temos encomendas para a África do Sul, o que nos fará chegar aos 48 carros”. Mas o futuro passará obrigatoriamente pelos R4T que Wilson confirma que “é algo em que estamos interessados. Queremos que possa realmente corresponder ao preço tabelado pela FIA, algo a que os RRC já fogem e que não tenho a certeza se poderá acontecer com os R4T. Esse vai ser o grande desafio que nos obrigará a uma produção muito elevada”.

A opinião de Malcom Wilson sobre…

Ralis maratona

“Não concordo. Certamente que têm um impacto enorme nos custos para toda a gente. Os privados não querem entrar nesses ralis se tiverem custos extra. Não precisamos de ralis mais longos, já temos quilómetros suficientes. Acho que o rali mais emocionante do ano passado foi a Jordânia, com a diferença mais curta de sempre entre primeiro e segundo e só teve dois dias”.

Troços noturnos

“A primeira razão por que os troços noturnos terminaram foi por razões de segurança. Não sei porque é que a FIA pensa que isso já não constitui um problema”.

Ordem de partida invertida

Já aceito qualquer coisa porque estou farto de ouvir que esta pessoa quer ‘isto’ e aquela, quer ‘aquilo’. Já se experimentou de tudo e no final do dia os vencedores são sempre os mesmos. Acho que há questões mais importantes para tratar…

Qualificação para reduzir as táticas

Não acho que vá resolver o problema das táticas. Possivelmente, a Qualificação vai até aumentá-las.

SuperRally

Para mim, é absolutamente imprescindível. Precisamos de o manter em todos os ralis, em particular, por causa dos privados. Se um privado poder terminar o rali e obtiver alguns pontos isso fará toda a diferença. Para além disso, o SuperRally também ajuda os jovens pilotos no futuro.

Monopólio dos pneus

Estou firmemente convicto que ter apenas uma marca a controlar os pneus no campeonato é, definitivamente, o caminho a seguir. Tivemos três anos fantásticos com a Pirelli, com muito poucos problemas e isso tornou tudo muito mais simples para toda a gente. Todos os pilotos sabiam que estavam a usar os mesmos pneus e o jogo ficava nivelado. Sou, por isso, um grande defensor de haver uma única marca de pneus.

(Martin Holmes)

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Filed under Fanáticos do Rally

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