Co-piloto de Craig Breen morre na Sicília!

Gareth Roberts, co-piloto de Craig Breen, morreu esta manhã vítima de acidente no Rali Targa Florio, quinta prova do IRC 2012. O acidente deu-se na oitava especial, Cefalu, que foi interrompida de imediato.

Num comunicado da organização pode ler que “A oitava especial do Rali Targa Florio foi interrompida na sequência dum acidente da dupla Craig Breen e Gareth Roberts, de modo a permitir a entrada das equipas médicas, mas apesar de todos os seus esforços, já não foi possível salvar a vida de Gareth Roberts, que sucumbiu aos ferimentos. O restante da prova foi cancelada, em respeito pelas vítimas. O piloto Craig Breen saiu incólume do acidente, onde não estiveram envolvidos espectadores.”

O incidente deu-se quando Craig Breen perdeu o controlo do seu carro que colidiu violentamente nos rails com o lado direito do 207 S2000, num acidente, ao que se sabe, com algumas semelhanças do que foi vítima Robert Kubica. A ajuda chegou depressa, mas nada mais havia a fazer pelo infortunado navegador. O piloto, Craig Breen, ficou em estado de choque.

O co-piloto galês estreou-se nos ralis em 2004, e acompanhou Breen no título da WRC Academy de 2011. O duo vinha realizando programas paralelos no SWRC e IRC, e na altura do acidente eram sextos classificados no Targa Florio, aos comandos do seu Peugeot 207 S2000.

Referindo-se a este acidente, o responsável pelo IRC, Jean-Pierre Nicolas mostrou-se bastante triste pelo sucedido: “É um acidente muito triste que nos recorda que o automobilismo é perigoso: os acidentes podem afetar os pilotos e navegadores nos ralis. Como o presidente do Automobile Club Palermo, Antonio Marasco, disse a seguir ao acidente, o Targa Florio é um evento em que muitos grandes campeões nos deixaram no passado e, infelizmente, isso voltou a acontecer novamente. A morte de um jovem de 24 anos no início da sua carreira é sempre uma tragédia. Desde o início deste ano, em conjunto com Craig Breen, o Gareth tinha feito algumas grandes prestações e a equipa soube fazer-se notar. Não restam dúvidas na minha mente de que essas performances se iriam tornar ainda melhores. Neste momento terrível, os meus pensamentos estão com a família do Gareth, a quem todos nós na Eurosport Events enviamos as mais sinceras condolências”.

Andreas Mikkelsen liderou a maior parte da prova, mas Jan Kopecky chegou à liderança precisamente na especial onde ocorreu o acidente, devendo assim ser considerado o vencedor da prova.

Malditos rails

Uma vez é coincidência, mas à segunda, já dá que pensar. Depois do grave acidente sofrido por Robert Kubica o ano passado, quando se despistou no seu Skoda Fabia S2000, e um rail entrou pelo carro dentro, ferindo gravemente o polaco, desta feita a tragédia bateu mesmo à porta, quando Gareth Roberts, navegador de Craig Breen, perdeu a vida no Rali Targa Fiorio, na sequência dum despiste onde o rail entrou pelo carro dentro, matando de imediato o infortunado navegador.

Pelo que se vê nas imagens do local do acidente, era uma curva rápida à esquerda, numa estrada estreita, onde provavelmente o piloto entrou depressa demais, não evitando o rail, que como se vê na imagem está ligeiramente virado para fora, mas apenas 15-20 cm, insuficiente para impedir que entrasse pelo carro, lançado a alta velocidade.

Se o rail estivesse enterrado no chão, provavelmente o que aconteceria era um capotanço, já que o carro subia o rail e era catapultado. Os rails são feitos para suportar veículos que lhe batem lateralmente, mas são frágeis quando embatidos no seu início.

Talvez seja altura das organizações colocarem, por exemplo, um recipiente de plástico semelhante aos que se colocam nas bermas das estradas, ou a delimitar obras, no início dos rails em zonas onde os pilotos cheguem a grandes velocidades, onde seja mais provável poderem lá bater de frente, pois isso provavelmente evitaria que o ferro trespassasse o carro.

Ironicamente, uma semana antes do Targa Florio, Abdulaziz Alkuwari teve um acidente muito semelhante no Rali da Bulgária, quando o seu Mini JCW S2000 ficou empalado num rail. Desta feita os ocupantes tiveram a sorte que faltou a Gareth Roberts.

Assim, a edição 96 do Targa Florio ceifou mais uma vida, numa prova marcada por muitas fatalidades. Em 1985, Sandro Picone morreu envenenado pelos gases de escape do seu carro, que entraram no habitáculo. Em 1991, morreu um espectador, atingido por um carro. Mais para trás, em 1977, perdeu a vida Gabriele Ciuti devido ao despiste do seu Osella PA5 Abruzzo. O primeiro acidente desta longa lista deu-se em 1926 quando o conde Giulio Masetti perdeu a vida no seu Delage. John Alloatti morreu em 1934, quando corria com um Bugatti Type 51. Em 1958 perdeu a vida Sergio Der Stepanian, num Ferrari 250 Berlinetta. Fulvio Tandoi morreu em 1971, aos comandos dum Alpine Renault A110, e em 1973 o inglês Charles Blyth, em Lancia Fulvia HF. Infelizmente, uma longa lista, numa prova que tem uma história tão bela quanto trágica.

 

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